Pressão Política e Acusações de Corrupção Atingem Gabinete de Zelenski

Em um cenário de intensa pressão política e agravamento do conflito com a Rússia, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afastou de seu círculo de poder mais uma figura acusada de corrupção. Irina Mudra, vice-chefe de gabinete presidencial, foi demitida após investigações apontarem seu envolvimento, juntamente com outros membros do governo, em um esquema de lavagem de dinheiro. Este incidente segue a renúncia de Andrii Iermak, chefe de gabinete e braço-direito de Zelenski, no final de 2025, devido a acusações similares.

Repercussões da Demissão do Ex-Ministro da Defesa

A demissão de Mudra ocorre um dia após o ex-ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, exonerado por Zelenski em 16 de julho, divulgar um vídeo criticando o governo e defendendo a realização de eleições presidenciais, mesmo sob lei marcial que as proíbe em tempos de guerra. A saída de Fedorov gerou uma série de protestos de rua, com o mais recente ocorrendo no último domingo (16).

Em resposta, Zelenski submeteu ao Parlamento (Rada) a indicação de Ievhenii Khmara como sucessor de Fedorov. Khmara foi aprovado por 312 dos 325 deputados presentes. Contudo, a decisão não parece ter apaziguado os manifestantes, que prometem novas ações. Um grupo protestou em frente à Rada após a votação.

Novo Ministro da Defesa e Legado de Fedorov

Ievhenii Khmara, um general de divisão que liderava interinamente o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) desde o início do ano, é conhecido por sua atuação discreta e por liderar a operação de reconquista da Ilha da Cobra em 2022. Ele também dirigiu a Operação Teia de Aranha, que utilizou drones para atacar bases de bombardeiros russos. Apesar de seu histórico, sua popularidade não se compara à de seu antecessor.

Mikhailo Fedorov, de 35 anos, implementou mudanças significativas no Ministério da Defesa, integrando compras e fortalecendo a indústria de defesa. Ele foi um defensor da campanha ucraniana para levar os impactos da guerra aos civis russos, com ataques a sistemas energéticos e centros logísticos. Tais ações resultaram em problemas de abastecimento na Rússia, como a escassez de diesel e gasolina. A aprovação de Putin e da guerra, embora ainda alta, registrou quedas.

Conflito Político Interno e Cenário de Guerra

A declaração de Fedorov, que se posicionou como um adversário do 'sistema antigo', levantou questões sobre a liderança de Zelenski. Sua demissão teria ocorrido devido a confrontos com a estrutura militar estabelecida, personificada pelo comandante das Forças Armadas, Oleksandr Sirskii. A tentativa de Zelenski de substituir Sirskii por um oficial mais jovem, Mikhailo Drapatii, não foi suficiente para conter as manifestações, evidenciando a natureza política do episódio.

A postura de Zelenski em não tolerar figuras que possam ofuscá-lo, como visto na demissão de Fedorov e anteriormente do popular general Valeri Zalujni, gera um cenário político complexo. A exigência de eleições por Fedorov, que parece ter apoio popular, o coloca em rota de colisão com o presidente. Este contexto é favorável a Vladimir Putin, que já questionou a legitimidade do mandato de Zelenski, que terminou em maio de 2024.

Recrudescimento da Violência e Escassez de Defesas

A intensificação da campanha militar de Kiev, que atingiu uma refinaria na Rússia, coincide com um aumento da violência na guerra. Julho registrou o maior número de mortos por dia desde março de 2022, com 85,6% das fatalidades ocorrendo na Ucrânia. Recentemente, ataques de drones resultaram na morte de pessoas em Kherson e em outras partes do país.

A Ucrânia enfrenta uma grave escassez de mísseis antiaéreos, conseguindo abater drones, mas falhando contra mísseis. A recusa dos Estados Unidos, sob a administração Trump, em enviar munição para os sistemas Patriot, devido à alta demanda no Oriente Médio, agrava a situação. Apesar da estagnação diplomática, houve uma troca de prisioneiros de guerra entre os dois lados, com 103 indivíduos libertados por cada nação.