Detenção e Mobilização Comunitária

Thiago Brito, um renomado professor de jiu-jítsu faixa-preta, foi detido pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement) no Aeroporto Internacional da Filadélfia em 24 de julho. O incidente ocorreu enquanto Brito, que reside na Filadélfia há uma década e é natural de São Paulo, preparava-se para embarcar para Orlando, Flórida, a fim de acompanhar seus alunos no prestigiado campeonato Pan Kids. Desde sua detenção, a comunidade local, incluindo alunos e seus familiares, tem se mobilizado ativamente para pedir sua soltura.

A campanha pela libertação de Thiago Brito ganhou força nas redes sociais. Crianças e adolescentes, que são alunos do professor, escreveram cartas e fizeram desenhos, expressando o impacto positivo que ele teve em suas vidas. Essas mensagens, juntamente com fotos de Brito com seus alunos, foram amplamente compartilhadas por academias de jiu-jítsu, que também solicitaram doações para auxiliar nos custos legais.

Testemunhos Emocionantes de Alunos e Pais

Liam Karas, de 14 anos, descreveu Thiago como um “terceiro pai”, destacando as lições de vida e o desenvolvimento físico e mental que recebeu ao longo de sete anos. Landry, de 9 anos, expressou sua tristeza e a importância de Brito em sua jornada, afirmando que o professor o ajuda a aprender com os erros e o torna uma pessoa melhor.

Pais de alunos também se manifestaram, enfatizando a relevância de Thiago na comunidade. Rhianon Kearns, mãe de um dos estudantes, gravou um vídeo ressaltando a contribuição significativa do professor, argumentando que ele fez mais pela comunidade do que muitos que nasceram ali, ao dedicar-se aos filhos seis dias por semana durante cinco anos.

Situação Legal e Contexto da Detenção

Thiago Brito mudou-se para os EUA há dez anos com um visto de turista (B2), que permite uma permanência máxima de seis meses. Embora tenha tentado obter uma autorização de trabalho, seu pedido foi negado. Uma campanha de arrecadação de fundos foi criada para cobrir as despesas com sua defesa, já tendo arrecadado mais de 28 mil dólares até o início de agosto, com uma meta de 35 mil dólares.

A prisão de Brito se insere em um cenário de crescente fiscalização do ICE em aeroportos dos EUA, que tem resultado na detenção de imigrantes com vistos vencidos, mesmo em voos domésticos. Essa prática, em colaboração com o TSA, intensificou-se em julho, resultando em mais de 46 mil detenções. O governo tem manifestado a intenção de aumentar ainda mais o número de detenções diárias de imigrantes em situação irregular.

Condições de Detenção e Desdobramentos

Inicialmente, Thiago Brito foi levado para o FDC Filadélfia, um centro de detenção federal, e posteriormente transferido para o presídio de Moshannon Valley, na Pensilvânia, que abriga exclusivamente imigrantes. Familiares relataram que ele foi transferido algemado e que está identificado como um detento de baixa periculosidade. Brito aguarda uma audiência de custódia e busca acesso a consultas médicas para condições de saúde preexistentes. Ele descreveu a situação como um “inferno”, compartilhando o local com outros 17 brasileiros.

A família de Thiago no Brasil expressa desespero devido à falta de informações claras e ao contato limitado com o atleta. O ICE não respondeu a questionamentos sobre a acusação formal contra Thiago ou suas condições de detenção até a publicação desta matéria. Desde o início do governo Trump até julho, 63 voos deportaram cerca de 5.000 brasileiros, predominantemente homens entre 18 e 49 anos, que retornam principalmente para Minas Gerais, São Paulo e Rondônia.