Petróleo registra alta expressiva impulsionada por tensões geopolíticas
Os preços do petróleo avançaram mais de 3% nesta quinta-feira (20), com o barril Brent chegando a US$ 94,71 — o patamar mais elevado desde 23 de julho, quando a commodity era negociada a US$ 95,30. O movimento de alta foi alimentado por declarações do presidente norte-americano Donald Trump contra o Irã e por novos ataques do grupo houthis a alvos na Arábia Saudita.
Por volta das 9h15 (horário de Brasília), o Brent acumulava valorização de 3,37%. Ao longo da madrugada, os preços oscilavam em torno de US$ 92, mas passaram a subir gradativamente a partir das 3h, atingindo o pico seis horas depois. Às 11h30, a cotação havia recuado levemente para US$ 93,14, ainda com alta de 1,66%. O petróleo WTI, referência norte-americana, era negociado a US$ 85,90, alta de 1,79%.
Ameaças de Trump ao Irã acendem alerta nos mercados
A escalada dos preços foi fortemente influenciada por declarações do presidente dos Estados Unidos, que ameaçou impor severas consequências econômicas a qualquer país que ofereça apoio ao Irã. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou:
"Qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã enfrentará, por sua vez, consequências econômicas tremendas."
Mais cedo nesta semana, o republicano também havia ameaçado Omã, caso o país intermediasse um acordo com Teerã para o controle do estratégico estreito de Hormuz — passagem por onde circula cerca de 20% da produção global de petróleo e gás e que atualmente permanece bloqueado pelo Irã.
Irã rejeita pressão e reafirma controle sobre Hormuz
A resposta iraniana às ameaças foi imediata. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, classificou as declarações de Trump como uma tentativa de desviar a atenção da política norte-americana, em um momento em que os EUA revelaram que sua dívida pública ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história.
"Dobrar a aposta em políticas fracassadas trará apenas uma nova derrota e a inimizade dos iranianos", declarou Araghchi na rede social X.
Trump, que já havia imposto sanções econômicas ao Irã durante seu primeiro mandato e as restabeleceu ao retornar à Casa Branca em janeiro de 2025, mantém uma política de "pressão máxima" sobre Teerã. No entanto, o Irã não recuou: além de manter o bloqueio em Hormuz, autoridades iranianas mencionam abertamente a possibilidade de operações de ataque na região. Trump chegou a publicar uma imagem da via marítima como suposto novo território norte-americano, mas o controle local permanece em mãos iranianas.
Houthis atacam alvos na Arábia Saudita
Também nesta manhã, o grupo houthis, do Iêmen, afirmou que dois drones foram utilizados em ataques contra a cidade de Najran, na Arábia Saudita, com alegados impactos sobre o aeroporto local e uma instalação da petrolífera Aramco. O governo saudita não confirmou imediatamente as informações.
O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Mohebi, comentou a situação afirmando que "a Arábia Saudita certamente não será capaz de conter o Ansarullah ou permanecer a salvo desses ataques". Os rebeldes houthis, apoiados por Teerã, também têm realizado ataques a instalações de petróleo e embarcações sauditas no Mar Vermelho.
Economia iraniana sob pressão: inflação e desvalorização cambial
O conflito tem agravado a já fragilizada economia do Irã, enfraquecida por décadas de sanções internacionais. Em 22 de julho, a inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu 66%, ante 46% registrados em fevereiro. A moeda iraniana, o rial, segue em acentuada desvalorização: na quarta-feira, um dólar era negociado por 1,88 milhão de riais, frente a 1,65 milhão antes do início do conflito.
Diante do cenário adverso, Mojtaba Khamenei divulgou em maio uma mensagem pedindo que empresas evitassem demissões e apelando ao parlamento para que adotasse medidas de apoio à chamada "economia da resistência" — conceito utilizado pela primeira vez em 2010 pelo então líder supremo Ali Khamenei, que morreu em um bombardeio no primeiro dia da guerra. A expressão remete à ideia de redução da dependência econômica do país em relação ao exterior.
- Inflação iraniana chegou a 66% nos últimos 12 meses
- O rial perdeu valor significativo desde o início do conflito
- Hormuz permanece bloqueado, afetando 20% do fornecimento global de energia
- Houthis intensificam ataques a alvos sauditas no Mar Vermelho