Cenário Internacional: Inflação nos EUA e Reação do Mercado

O dólar registrou uma desvalorização na abertura do pregão desta quarta-feira (12), cotado a R$ 5,150, uma queda de 0,24%. Essa movimentação segue a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que apresentou um aumento de 0,1% em julho, após uma retração de 0,4% em junho. Anualmente, o índice subiu 3,4% até julho, ligeiramente abaixo dos 3,5% registrados em junho.

Vinicius Flores, economista e sócio da Stratton Capital, interpretou os números de inflação como alinhados às expectativas do mercado. Ele destacou que os dados de julho indicam uma normalização da inflação americana, após um junho particularmente favorável devido à queda nos preços de energia. Flores observou que os custos de aluguel foram responsáveis por cerca de dois terços do aumento inflacionário em julho. Apesar de o núcleo do CPI ainda estar acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed), houve um recuo de 2,6% para 2,5%, sugerindo uma melhora.

A expectativa do economista é que a próxima divulgação de inflação, anterior à decisão do Fed em setembro, terá maior peso na definição da política monetária. Com base nos dados atuais, a probabilidade é que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas. A reação imediata do mercado aos dados de inflação incluiu a queda nos rendimentos dos Treasuries e no índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, ambos recuando em torno de 0,16% e 0,78%, respectivamente.

Cenário Doméstico: Serviços, Balanços e Ata do Copom

No Brasil, os investidores estão atentos aos balanços de grandes empresas como Banco do Brasil, Suzano e Hapvida. O setor de serviços brasileiro apresentou estabilidade em relação a maio e um crescimento de 2% na comparação anual, conforme dados do IBGE. No entanto, André Valério, economista sênior do Inter, ressaltou que junho foi marcado por uma disseminação de taxas negativas, com quatro das cinco atividades pesquisadas contraindo. Destaques negativos foram os serviços profissionais e os serviços prestados às famílias, que caíram 1,4% e 1,2%, respectivamente, indicando fraqueza tanto na oferta quanto na demanda.

A única exceção foi o setor de informação e comunicação, que avançou 1,8%, impulsionado pelo crescimento de 2,2% nos serviços de TI. Segundo Valério, os serviços de TI foram responsáveis por 56% do crescimento total do setor de serviços em 2026.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou a percepção de que a inflação permanece pressionada, exigindo a manutenção de juros elevados para desacelerar a economia. O Copom indicou que a política monetária contracionista está contribuindo para a desinflação, mas a demanda ainda exerce pressão, justificando um caráter restritivo da política.

Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, observou a preocupação do comitê com as expectativas de inflação de longo prazo. Ele alertou que o tom mais rigoroso da ata pode impactar as expectativas de cortes de juros, o que, por sua vez, pode ser prejudicial para a Bolsa.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,07% em julho, a menor taxa para o mês em quatro anos. Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,44%, ficando abaixo do teto da meta de inflação de 4,5% do Banco Central. Contudo, o resultado superou a mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0%.

Impacto Político e Geopolítico

Pesquisas eleitorais também influenciaram o mercado. Uma sondagem CNT/MDA indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que somaria 39,1%. No primeiro turno, Lula aparece com 42,4% e Flávio com 28,7%. Guilherme Casa Grande Rodrigues, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, sugeriu que essa pesquisa aumentou a incerteza sobre a política econômica e fiscal do próximo governo, contribuindo para a desvalorização do real em comparação com outras moedas.

Internacionalmente, a persistência da guerra no Oriente Médio continua a gerar incertezas. Incidentes recentes, como ataques a navios e o aumento das tensões entre EUA e Irã, mantêm o mercado de petróleo volátil. O barril do petróleo Brent era negociado a US$ 88,72, com uma leve queda de 0,21%.