Cenário Econômico: Dólar e Bolsa Reagem a Indicadores
O mercado financeiro brasileiro apresentou um movimento de alta para o dólar e queda para a Bolsa de Valores nesta quinta-feira (13). Investidores estão atentos aos recentes dados de inflação divulgados nos Estados Unidos, que podem influenciar as futuras decisões do Federal Reserve (Fed) em relação às taxas de juros. Além disso, o cenário doméstico, incluindo os dados de varejo e o fluxo de capital estrangeiro, também está no radar dos analistas.
Por volta das 12h05, a moeda americana valorizava 0,26%, atingindo R$ 5,191. Este desempenho contrasta com o índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras seis moedas fortes, e que registrava uma leve queda de 0,17%. Simultaneamente, a Bolsa de Valores operava em baixa de 0,26%, marcando 167.047 pontos.
Inflação nos EUA e Impacto nas Expectativas do Fed
Os dados sobre os preços ao produtor nos Estados Unidos, referentes a julho, vieram abaixo do esperado, sugerindo uma diminuição da pressão inflacionária na economia norte-americana. Houve estabilidade nos preços em comparação com o mês anterior e um aumento de 4,7% na base anual, percentuais menores que as projeções de 0,2% e 4,9%, respectivamente, segundo pesquisa da Reuters.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, interpreta esses resultados como um sinal de desaceleração gradual da inflação nos EUA. Ele destaca que, apesar da inflação acumulada em 12 meses ainda ser elevada, os dados mais recentes indicam uma trajetória de acomodação. Para Alves, essa leitura é positiva para o mercado, pois um dado acima do esperado poderia intensificar as preocupações com a persistência da inflação e fortalecer a expectativa de uma política monetária mais restritiva por parte do Fed. A ausência desse cenário contribui para um ambiente mais favorável aos ativos de risco.
As apostas na manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% aumentaram após a divulgação do indicador, conforme dados do FedWatch, do CME Group. A probabilidade de manutenção subiu de 59,6% na véspera para 65,6%.
Varejo Brasileiro e Desafios Internos
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o setor varejista encerrou o segundo trimestre com um crescimento nas vendas acima do previsto em junho, com alta de 0,5% em relação a maio. Este avanço indica uma certa resiliência do consumo, mesmo diante das elevadas taxas de juros.
Contudo, André Valério, economista sênior do Inter, ressalta que o desempenho de junho foi impulsionado principalmente por setores essenciais como supermercados. Ele aponta que, ao longo do ano, o crescimento tem sido sustentado por combustíveis, farmacêuticos e supermercados, enquanto o varejo ampliado, mais dependente de crédito, mostra sinais de perda de dinamismo. O setor tem sido impactado pela desaceleração do consumo e pelo aumento do endividamento das famílias.
Cenário Geopolítico e Fatores de Pressão
Os ativos domésticos também têm sido pressionados pela expectativa de juros altos por um período prolongado, em meio às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. A taxa Selic elevada favorece os investimentos de renda fixa, diminuindo a atratividade da Bolsa. O conflito também impulsiona ativos considerados mais seguros, como o dólar, cujo índice DXY acumulou alta de 2,46% desde o início da guerra.
Adicionalmente, o cenário eleitoral e as preocupações fiscais no Brasil contribuem para a pressão sobre os ativos. O banco JPMorgan, por exemplo, rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de 'overweight' para 'neutra'. A saída de investidores estrangeiros da Bolsa também é um fator relevante, com um saldo negativo de R$ 7,2 bilhões em agosto, tornando-o o pior mês do ano até agora. Apesar disso, o saldo acumulado em 2026 permanece positivo em R$ 33,8 bilhões. Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, destaca que os ativos locais continuam fragilizados pela saída de estrangeiros e pela proximidade das eleições, que elevam os riscos fiscais e o prêmio de risco.
O impasse no Oriente Médio, com as negociações entre Irã e EUA estagnadas, também é um ponto de atenção. O Irã espera que os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções, retirem as forças militares da região, paguem reparações e liberem ativos congelados.
Para o restante do dia, a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em São Paulo, pode trazer novos sinais sobre os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom) em relação à taxa de juros brasileira.