STF Estende Medidas Protetivas Para Além do Ambiente Doméstico
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu um passo significativo no combate à violência contra a mulher ao ampliar a aplicação das medidas protetivas previstas na legislação brasileira. Em sessão realizada na última quarta-feira (19), os dez ministros da Corte votaram de forma unânime para que os mecanismos de proteção vigentes sejam aplicados em qualquer situação de violência baseada no gênero, sem a exigência de que exista ou tenha existido uma relação conjugal ou doméstica entre as partes envolvidas.
De acordo com o entendimento firmado pelo tribunal, essas medidas abrangem "toda forma de violência contra a mulher baseada no gênero, independentemente de sua ocorrência no âmbito doméstico, familiar ou em relação íntima de afeto". Entre os principais instrumentos previstos está a determinação judicial que obriga o agressor a manter distância segura da vítima.
Lei Maria da Penha Completa Quase Duas Décadas com Desafios Persistentes
As medidas discutidas pelo STF integram o arcabouço da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006. A legislação recebeu esse nome em homenagem a uma ativista que sobreviveu a diversas tentativas de homicídio praticadas por seu então marido — incluindo uma tentativa de eletrocussão — antes de ficar paraplégica em decorrência das agressões sofridas.
Durante a sessão, a ministra Carmen Lúcia, única mulher a compor o Supremo Tribunal Federal, fez um alerta sobre a situação atual:
"A situação hoje de sofrimento, violência depois de 20 anos da Lei Maria da Penha é pior do que 20 anos atrás."
A declaração da ministra reflete um cenário preocupante apontado por dados recentes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os casos de feminicídio cresceram 14,5% nos últimos cinco anos, totalizando 1.571 mortes em 2025 — o que equivale a mais de quatro vítimas por dia.
Violência Contra a Mulher Ganha Espaço no Debate Eleitoral
O tema também passou a ocupar a agenda política com a proximidade das eleições de outubro. Os dois principais candidatos à presidência — o atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ — incluíram a defesa dos direitos das mulheres entre as prioridades anunciadas no lançamento oficial de suas campanhas, realizado no domingo.
O interesse pelo eleitorado feminino reflete sua relevância estratégica em um pleito que promete ser bastante disputado, tornando as políticas voltadas à proteção das mulheres um tema central no debate público e eleitoral do país.