Estratégias Partidárias em Cenário de Polarização
Os principais partidos na disputa pela presidência, Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Liberal (PL), finalizaram suas convenções partidárias com um foco claro: fortalecer as candidaturas nacionais de seus líderes. Para isso, ambos os partidos adotaram estratégias que incluem alianças táticas com legendas de centro em diversos estados, além de apostarem em chapas puras para governos estaduais.
O PL, que apoia o ex-presidente Jair Bolsonaro, apresentará candidatos próprios em 14 estados, enquanto o PT, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disputará o governo em 12 unidades da federação. Em grande parte desses locais, os partidos mantiveram-se restritos aos seus respectivos campos ideológicos, com dificuldade em atrair apoios de partidos de centro. A persistente polarização política, observada desde as últimas eleições, resultou na união de partidos de esquerda em muitos estados. No campo da direita, o cenário é mais fragmentado, com disputas internas por protagonismo.
Crescimento das Chapas Puras e Alianças Restritas
A situação atual levou a um aumento significativo no número de chapas puras do PL. Em 2022, o partido concorreu com candidato a governador e vice da mesma sigla em três estados. Para a eleição deste ano, esse formato se estende a dez estados, incluindo importantes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Alianças mais amplas foram observadas em estados como Santa Catarina, onde o governador Jorginho Mello busca a reeleição, e também no Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.
Apesar de priorizarem a eleição presidencial, PT e PL enfrentaram desafios para expandir suas alianças nacionalmente. O PL, sem a parceria com PP e Republicanos de 2022, concorre sem partidos aliados na chapa presidencial. O PT, por sua vez, é o único a liderar uma coligação com sete partidos, mas não conseguiu o apoio formal de legendas como PSD e MDB.
Acordos Informais e Palanques Regionais
Para compensar a falta de aliados de centro em nível nacional, PT e PL desenvolveram acordos informais nos estados. O PT apoiará cinco candidatos a governador do PSD, dois do MDB, um do PP e um do União Brasil, esperando o apoio recíproco a Lula. Um exemplo é o Rio de Janeiro, onde o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) expressou o objetivo de garantir a vitória de Lula no estado. O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), destacou a estruturação de palanques no Sul, Sudeste e Nordeste, mencionando que partidos de centro liberaram seus diretórios locais, focados na eleição de deputados e senadores.
O PL, por sua vez, articulou apoio a candidatos a governador de outros partidos em 11 estados, com preferência para PP, União Brasil e Republicanos. Contudo, Flávio Bolsonaro não terá apoio de nomes como ACM Neto (União Brasil-BA), Ciro Gomes (PSDB-CE) e Dr. Furlan (PSD-AP) no primeiro turno. Em Pernambuco, não houve acordo com a governadora Raquel Lyra (PSD), e o PL lançou Mendonça Filho ao Senado sem candidato ao governo. A cúpula do partido avalia o saldo como positivo, com Flávio Bolsonaro mencionando 22 palanques de candidaturas a governos estaduais que o apoiam.
Disputas Diretas e o Cenário do Senado
Apesar das estratégias de alianças, o embate direto entre PT e PL ocorrerá em apenas quatro estados. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o PT lançou o deputado Patrus Ananias para um palanque fiel a Lula. O PL indicou Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, após a indecisão do senador Cleitinho (Republicanos). Além de Minas, PL e Republicanos serão adversários diretos em Mato Grosso e Roraima. No Maranhão, Flávio Bolsonaro apoiará Roberto Rocha (PRTB) para o governo, mas o PL não integrará a coligação.
A disputa pelo Senado é outra prioridade para ambos os partidos, considerada crucial para a formação de uma maioria que possa influenciar embates com o Supremo Tribunal Federal (STF). O PL lançou 33 candidatos ao Senado em 25 unidades da federação, concorrendo a duas vagas em sete delas. Para conter o avanço do bolsonarismo, o PT apoiará candidatos de partidos aliados ao Senado e lançou 19 candidaturas próprias em 17 estados, disputando duas vagas na Bahia e no Paraná. No Nordeste, as chapas ao Senado da base de Lula serão majoritariamente de esquerda. Candidatos de centro, como Álvaro Dias (MDB-PR) e Aécio Neves (PSDB-MG), desistiram da corrida ao Senado na última semana, refletindo a polarização.