Gestão Municipal Avalia Reestruturação de Escolas em São Paulo

A administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) analisa a possibilidade de reorganizar a oferta de etapas de ensino em pelo menos dez escolas da rede pública municipal de São Paulo, com possíveis mudanças a partir do próximo ano letivo. A proposta consiste em concentrar determinados ciclos — como os anos iniciais do ensino fundamental — em certas unidades, enquanto outras passariam a atender exclusivamente os anos finais e o ensino médio. Com isso, estudantes cujas turmas fossem extintas nas suas escolas de origem seriam encaminhados para outras unidades da mesma região.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) classificou a iniciativa como um "estudo de adaptação" de caráter exclusivamente pedagógico, cujo objetivo seria melhorar a qualidade do ensino e favorecer a aprendizagem. No entanto, pais e professores de diversas escolas afirmam já ter sido informados sobre o encerramento de ciclos, mesmo antes de qualquer decisão oficial ser anunciada.

Escolas Afetadas e Reações das Comunidades

Entre as unidades que podem ser diretamente impactadas está a Emefm Vereador Antônio Sampaio, localizada no bairro de Santana, na zona norte da capital. Atualmente, a escola atende cerca de 430 alunos distribuídos entre os anos iniciais, anos finais do ensino fundamental e ensino médio. Segundo informações repassadas aos pais, a partir de 2026 a unidade passaria a receber apenas alunos dos anos iniciais, com os demais sendo transferidos para a Emefm Derville Allegretti, escola vizinha que, por sua vez, deixaria de ter turmas dos anos iniciais.

A Emefm Vereador Antônio Sampaio é amplamente reconhecida pelo atendimento especializado a estudantes surdos e com deficiência. Professores alertam que a unidade de destino, a Derville Allegretti, não possui infraestrutura adequada para receber esses alunos: o prédio conta com três andares, mas não dispõe de elevador, o que dificulta o acesso de estudantes cadeirantes a laboratórios e espaços pedagógicos localizados nos andares superiores.

Em São Miguel Paulista, os pais das Emefms Darcy Ribeiro e Arquiteto Luis Saia também foram comunicados sobre a possível reorganização. Famílias com filhos em idades diferentes seriam obrigadas a levá-los a escolas distintas, situadas a cerca de 600 metros de distância uma da outra. Além disso, reclamam da ausência de uma proposta de transporte escolar gratuito como contrapartida à mudança.

"Para muitos, essa escola representa a possibilidade concreta de retomada da cidadania, de melhores oportunidades de trabalho e de realização pessoal. A transferência da EJA para polos mais distantes poderá provocar o abandono dos estudos por parte de estudantes que já enfrentaram inúmeros obstáculos para retornar à educação formal", diz trecho de abaixo-assinado assinado por alunos e professores da Emef Arquiteto Luis Saia.

Fechamento de Escola Histórica Também Causa Polêmica

Além da reorganização de ciclos, a gestão municipal confirmou o fechamento completo da Emef Paulo Machado de Carvalho, situada na Bela Vista, região central de São Paulo. A escola funciona em um prédio histórico tombado, que passou da administração estadual para a municipal em 2025. Segundo a prefeitura, o imóvel apresenta problemas estruturais graves incompatíveis com as intervenções necessárias para a continuidade das atividades educacionais, e será devolvido ao Estado após o término do ano letivo de 2027.

Os cerca de 270 alunos matriculados na unidade serão transferidos para outras escolas da região. Mães e pais ouvidos relatam incerteza sobre para quais unidades os filhos serão encaminhados e criticam a forma como a decisão foi comunicada.

"Como decidem fechar uma escola com mais de 60 anos, que tem importância para uma comunidade? O prédio tem problemas e precisa de melhorias, mas por que não reformar?", questionou uma mãe de aluna do 4º ano, acrescentando que, inicialmente, o fechamento estava previsto ainda para o corrente ano, sendo adiado para 2027 após pressão das famílias.

Posição da Secretaria de Educação

Em nota oficial, a SME reforçou que não haverá fechamento de escolas nem transferência de alunos para a rede estadual. A pasta afirmou que as mudanças ainda estão sendo discutidas com as comunidades escolares e os Conselhos de Escola, e que o atendimento nas unidades segue normalmente até o fim do ano letivo de 2026.

  • As escolas citadas no estudo inicial são: Emefs Arquiteto Luis Saia e Joaquim Cândido de Azevedo Marques, e as Emefms Vereador Antonio Sampaio, Derville Allegretti, Darcy Ribeiro e Lineu Prestes.
  • A secretaria não divulgou a lista completa das unidades em análise.
  • A prefeitura não esclareceu se a reorganização visa algum tipo de economia de recursos.
  • Professores eventualmente excedentes terão prioridade na realocação, conforme as regras da rede municipal.

O município de São Paulo conta atualmente com oito escolas que ofertam o ensino médio. Com a reorganização proposta, esse número passaria para sete. Vale lembrar que a Constituição Federal de 1988 define como responsabilidade prioritária dos municípios a oferta de ensino fundamental e educação infantil, e que, ao longo dos anos, diversas matrículas do ensino médio já foram progressivamente transferidas para a rede estadual.