Polícia Civil deflagra segunda fase de operação contra comércio ilegal de ouro em SP
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deu início, na manhã desta segunda-feira, dia 24, à segunda fase de uma operação voltada ao combate de uma rede criminosa suspeita de envolvimento em roubos, receptação e comercialização ilegal de metais preciosos, incluindo alianças e joias de ouro. Por determinação judicial, foram bloqueados R$ 34,6 milhões nas contas bancárias dos investigados.
Detalhes da operação
Batizada de Operação Ouro Reverso 2, a ação é coordenada pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, vinculada à Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Durante os trabalhos de campo, os agentes cumpriram quatro mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 28 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Guarulhos, na região metropolitana.
O 'Círculo de Fogo' no centro de São Paulo
Entre os locais visados pela operação está uma área do centro histórico da capital paulista conhecida como 'Círculo de Fogo'. Segundo as apurações, estabelecimentos comerciais situados nessa região estariam envolvidos na compra de joias provenientes de crimes, procedendo posteriormente à fusão do ouro para eliminar qualquer possibilidade de rastreamento da origem ilícita do material.
Conforme apurado pelas autoridades, o esquema funcionava em etapas: iniciava-se com o furto ou roubo das peças, que então passavam por comerciantes e empresas responsáveis por recebê-las e processá-las. Ao derreter o metal, os envolvidos apagavam a identidade das joias, permitindo que o ouro de procedência criminosa fosse reintegrado ao mercado de forma aparentemente legal.
Primeira fase: resultados e principais alvos
A primeira edição da Operação Ouro Reverso foi realizada em maio do ano anterior, também no centro de São Paulo. Na ocasião, foram recuperadas 16 alianças em lojas da região, além da apreensão de cerca de R$ 2,7 milhões em ouro e joias e R$ 157 mil em espécie.
Naquela fase, também foi preso o principal negociador de joias roubadas e furtadas da organização. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, esse indivíduo atuava como intermediário direto, recebendo as peças obtidas de forma criminosa e repassando-as rapidamente para estabelecimentos comerciais do centro da cidade.
Líder da organização identificada
A chefia do grupo criminoso é atribuída a Suedna Barbosa Carneiro, de 41 anos, conhecida pelo apelido de 'Mainha do Crime', presa em fevereiro deste ano. Ela é apontada pelas investigações como financiadora de crimes de roubo, entre os quais o que vitimou o ciclista Victor Medrado, agredido enquanto pedalava nas proximidades do Parque do Povo, na capital paulista.