Copom e a Expectativa de Corte da Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar, nesta quarta-feira, a quarta redução consecutiva da taxa Selic, que passaria de 14,25% para 14,00% ao ano, segundo análises de mercado. Embora este corte seja amplamente esperado, há uma crescente discussão sobre as futuras decisões do Banco Central, com a possibilidade de novas reduções sendo considerada.

A pesquisa Projeções Broadcast indicou que a maioria das instituições financeiras projeta uma diminuição de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto. Das 60 casas consultadas, 56 apostam nesse cenário, enquanto quatro preveem a manutenção da taxa em 14,25%, como é o caso do Citi.

Perspectivas para o Futuro da Taxa de Juros

O Boletim Focus, que anteriormente apontava a redução de agosto como a última do ano, agora incorpora um quinto corte de 0,25 ponto percentual em 2026, levando a taxa a 13,75%. Esta é a primeira vez desde março – período que marcou o início da guerra entre Estados Unidos e Irã – que a mediana para a Selic registrou queda.

A trajetória atual das medianas sugere um corte em agosto, seguido de estabilidade em setembro e um ajuste pontual em novembro, após as eleições. A taxa de juros se manteria estável em 13,75% em dezembro e janeiro, com um novo corte de 0,25 ponto previsto para março de 2027.

“Achamos que o Banco Central deixará a porta aberta”, afirmou Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú. O banco revisou sua projeção para a Selic no final de 2026 de 14,00% para 13,75%.

Gonçalves ressalta que a melhora no cenário doméstico, com moderação da atividade econômica e recuo da inflação, pode viabilizar os cortes. No entanto, ele não espera uma comunicação explícita do Copom sobre os próximos passos na reunião de agosto, mantendo a postura de sinalizar a necessidade de juros restritivos para a convergência da inflação.

Fatores de Incerteza e a Postura do Copom

O ambiente de incerteza leva o Copom a manter uma postura dependente de dados. Ruídos vindos da política monetária americana, como as declarações de Kevin Warsh, geraram volatilidade. Além disso, a indefinição do conflito no Oriente Médio e a desancoragem das expectativas de inflação a longo prazo no cenário doméstico são pontos de atenção.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, mencionou em julho que o Copom avalia diferentes cenários para levar a inflação à meta de 3,0% com menor volatilidade. As medianas do Focus não preveem a convergência da inflação para o centro da meta nos próximos anos, projetando alta de 5,03% em 2026, acima do teto de 4,50%.

O Tom do Comunicado e Implicações Futuras

Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG, destaca que, embora o corte de 0,25 ponto seja esperado, o foco estará na comunicação do BC. Um tom mais conservador pode frear as expectativas de inflação para 2028, abrindo espaço para a retomada do ciclo de cortes mais cedo no próximo ano. Por outro lado, uma comunicação mais aberta pode permitir que o ciclo de queda de juros termine em um patamar mais baixo, mas com a retomada do afrouxamento monetário adiada caso as expectativas de inflação permaneçam desancoradas.

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, considera que, do ponto de vista dos dados econômicos, o corte é provável, mas defende uma postura mais cautelosa devido à incerteza econômica. Ela aponta que a piora na expectativa para 2028, mesmo com a melhora nos dados recentes de inflação, é um sinal preocupante. Embora o nível da taxa de juros real seja alto e o endividamento das famílias elevado, Victal sugere que uma pausa agora, com uma sinalização mais “hawkish” (dura), poderia ser positiva para evitar uma desancoragem adicional das expectativas de inflação.