Estratégia de Comunicação de Lula Foca em Canais Digitais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem modificado sua abordagem de comunicação, optando por interações com comunicadores digitais em vez de conceder entrevistas frequentes à mídia tradicional ou participar de debates presidenciais no primeiro turno. Essa estratégia visa um ambiente mais informal, onde questões potencialmente desconfortáveis são menos abordadas.

Inicialmente, antes do período de pré-campanha, a comunicação do presidente conciliava suas viagens estaduais com entrevistas exclusivas a emissoras de rádio e TV locais. No entanto, a frequência de entrevistas a veículos de mídia tradicional com cobertura nacional diminuiu consideravelmente. A última entrevista de Lula a uma grande emissora foi para a TV Record em julho de 2025, após o anúncio de um aumento tarifário imposto pelo governo dos Estados Unidos.

Transição para a Mídia Digital

Com a aproximação da campanha eleitoral, o presidente passou a focar em entrevistas informais para a mídia digital, incluindo podcasts e videocasts. Esse formato permite conversas mais descontraídas e menos direcionadas a tópicos polêmicos, resultando em um ambiente percebido como menos "hostil".

Nesta sexta-feira, 14, Lula concederá uma entrevista às comunicadoras Deia Freitas, do podcast "Não Inviabilize", e Inês Aparecida e Hébely Rebouças, do "As Cunhãs". O "Não Inviabilize" é reconhecido como o podcast brasileiro mais ouvido no Spotify, embora seu conteúdo não seja de natureza jornalística, abordando relatos cotidianos e questões de relacionamento.

Nas últimas semanas, o presidente também participou de entrevistas nos podcasts "Inteligência Ltda." e nos canais "Meteoro Brasil" e "Os Três Elementos". Nessas ocasiões, temas sensíveis como as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís (Lulinha), os pagamentos à seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), ou a ligação de aliados como o senador Jaques Wagner com o escândalo do Banco Master, foram amplamente evitados. As conversas focaram na trajetória de vida do presidente, com elogios explícitos em alguns casos.

Ausência em Debates e Saturações

Paralelamente a essa preferência por veículos digitais não jornalísticos, Lula não participou da sabatina promovida pela GloboNews com os candidatos à Presidência. Seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também esteve ausente. Além disso, o presidente indicou que não deve participar dos debates do primeiro turno, como o que seria promovido pelo Estadão e Band, que foi remarcado para o dia 23. O lançamento de sua campanha está agendado para o dia 16, em São Bernardo do Campo (SP).

Essa postura de "distanciamento" da mídia tradicional ocorre em um momento em que sua campanha enfrenta desgastes, especialmente relacionados aos casos envolvendo Fábio Luís e Marcola. Fábio é alvo de três investigações no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de tráfico de influência, enquanto Marcola confirmou o recebimento de dinheiro da empresária Roberta Luchsinger, alegando ser um empréstimo pessoal já quitado. Embora esses temas não tenham sido abordados nas entrevistas recentes do presidente, eles continuam sendo pautas relevantes.

Apesar desses desafios, as pesquisas de intenção de voto indicam que Lula lidera. Uma pesquisa BTG/Nexus divulgada em 10 de agosto mostrou o presidente com 40% das intenções de voto no primeiro turno, à frente de Flávio Bolsonaro (35%), Ronaldo Caiado (5%), Renan Santos (4%) e Romeu Zema (3%).