Novo inquérito investiga violência patrimonial contra dentista
A Polícia Civil de São Paulo iniciou uma investigação para apurar possível violência patrimonial contra a cirurgiã-dentista Giullia Falcão, de 27 anos. O caso ganhou novos desdobramentos após a jovem ser impedida de entrar em sua própria residência e ter o acesso aos seus bens bloqueado, enquanto seu marido, o empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, segue preso sob acusação de lesão corporal e ameaça.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do estado, foi instaurado um inquérito para apurar o chamado exercício arbitrário das próprias razões — crime que ocorre quando uma pessoa tenta fazer valer um suposto direito de forma unilateral, sem recorrer ao sistema judicial. No mesmo procedimento, será investigada a possível violência patrimonial sofrida pela dentista.
Justiça determina retorno da vítima ao imóvel
A juíza Carla Balestreri, do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, ordenou que Giullia fosse restituída ao imóvel onde residia, além de ter seu veículo e demais pertences pessoais e profissionais devolvidos. Na decisão, a magistrada avaliou que a retirada da dentista de sua casa e a privação de seus bens configuravam violência psicológica e patrimonial.
Segundo o advogado da dentista, Fábio Fajolli, ainda não foi possível identificar com precisão quem estava presente no imóvel no momento em que as fechaduras foram trocadas. A própria Giullia relatou que parentes do empresário teriam participado da ação.
Defesa do empresário nega envolvimento de familiares
A reportagem tentou contato com Davi Gebara, advogado que representa o empresário, mas não obteve resposta. Em manifestações anteriores, Gebara informou que o processo tramita sob segredo de Justiça e, por isso, não comentaria detalhes. A defesa também lamentou que familiares do acusado fossem mencionados publicamente, classificando-os como pessoas sem qualquer vínculo com os fatos investigados e que não integram o processo. O advogado afirmou ainda que a defesa confia nas instituições e nas determinações da Justiça.
Próximos passos da defesa da vítima
Fajolli afirmou que a prioridade recente foi garantir judicialmente o retorno de Giullia à residência e a recuperação de seus pertences. Com a decisão favorável obtida, o advogado anunciou que passará a buscar a identificação de todos os envolvidos na retirada da dentista do imóvel.
"Já contatamos as autoridades e confirmamos que haverá uma nova investigação para responsabilizar todos que expulsaram minha cliente da própria casa", declarou o advogado.
Agressões que originaram o caso
A nova apuração se soma à investigação em curso no 15º Distrito Policial, no Itaim Bibi, sobre a conduta de dois seguranças particulares que teriam sido omissos diante das agressões sofridas pela dentista em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Giullia acusa Kos de tê-la agredido na madrugada de um sábado, após o casal retornar de um jantar. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o empresário teria desferido socos no rosto e no corpo da mulher durante uma discussão no interior do veículo. As agressões teriam continuado dentro da residência, onde ela teria sido atingida na mão com um taco de beisebol e ameaçada com um dispositivo de choque elétrico.
A dentista conseguiu escapar do imóvel e pedir socorro a vizinhos, que acionaram a Polícia Militar. A Justiça manteve a prisão preventiva do empresário, sem prazo determinado, e determinou que ele não mantenha qualquer contato com Giullia, além de permanecer a uma distância mínima de 300 metros dela, de sua residência, local de trabalho e familiares.